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Pecuaristas brasileiros são responsáveis por alimentar o mundo

Pecuaristas brasileiros são responsáveis por alimentar o mundo

29/12/2022

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Pecuaristas brasileiros são responsáveis por alimentar o mundo

O maior rebanho de bovinos do mundo encontra-se na Índia, seguido de Brasil, China, Estados Unidos e União Europeia. No entanto, o maior rebanho comercial é nosso, com 218 milhões de cabeças e que segue em constante crescimento. 

Com sistema produtivo majoritariamente realizado em pasto, nos últimos anos, a maior evolução do rebanho bovino frente à expansão das áreas de terras com pastagens (figura 1), e a consequente melhora da taxa de lotação de pastagens (figura 2), revela, dentre outros fatores, as tecnologias que vêm sendo adotadas no sistema. 

Figura 1.

Evolução da área com pastagem versus rebanho bovino no Brasil em milhões. Base 100=1985.

*Estimativa Scot Consultoria

Fonte: Lapig / Elaboração: Scot Consultoria

Figura 2.

Taxa de lotação, em cabeça por hectare, e Unidade Animal (UA)** por hectare, no eixo da esquerda, e área com pastagem no Brasil, em milhões de hectares, no eixo da direita.

* Estimativa Scot Consultoria** corresponde a um bovino de 450kg de peso vivo.

Fonte: Lapig / IBGE / Elaboração: Scot Consultoria

A suplementação alimentar no período das águas e seca, técnicas de terminação intensiva em pasto (TIP), a adoção de integração de culturas, como a integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), e o melhoramento genético do rebanho, têm acelerado o ganho de peso e reduzido o tempo até o abate (figura 3), além de caminharem em conjunto às crescentes demandas ambientais.

Figura 3.

Peso médio da carcaça (kg) de bovinos no Brasil, entre 1997 e 2021.

Fonte: IBGE / Elaboração: Scot Consultoria

Com o aumento da pressão por práticas sustentáveis, os compromissos ambientais abrem novas oportunidades, principalmente para a pecuária brasileira.

Representatividade brasileira no mundo

O Brasil é destaque no mercado internacional. Sendo o maior exportador de carne bovina, o país tem como principais concorrentes Estados Unidos, Austrália e Argentina.

Tabela 1.

Exportação e produção de carne bovina in natura, em mil toneladas de equivalente carcaça, entre 2018 e 2022.

  País 2018 2019 2020 2021 2022*
  Brasil 2.021 2.314 2.539 2.320 2.600
  Estados Unidos 1.433 1.373 1.339 1.564 1.497
Exportação Índia 1.511 1.494 1.284 1.397 1.475
  Austrália 1.582 1.739 1.473 1.291 1.470
  Argentina 501 763 819 738 700
  Outros 3.589 3.695 3.788 4.137 4.022
  Estados Unidos 12.256 12.385 12.389 12.730 12.627
  Brasil 9.900 10.200 10.100 9.500 9.850
Produção China 6.440 6.670 6.720 6.980 7.100
  União Europeia 7.067 6.964 6.882 6.855 6.800
  Índia 4.240 4.270 3.760 4.195 4.350
  Outros 17.828 18.164 17.884 17.874 17.966

* Expectativa
Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria

Nos últimos anos, o mercado chinês se tornou um grande comprador do produto brasileiro, absorvendo cerca de 50% da produção nacional de carne. 

Países que exigem abates Halal ou Kosher, como a Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos, também são mercados emergentes e atrativos para o Brasil, uma vez que a pecuária brasileira está apta a atender esse tipo de exigência. 

Atuando como um dos principais fornecedores nesse mercado, os embarques brasileiros para esses destinos aumentaram substancialmente nos últimos meses. No acumulado de janeiro a março de 2022, o faturamento com embarques para Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita superaram, respectivamente, em 432,9%, 41,6% e 5,8% o mesmo período no ano anterior (Secex).

O Brasil tem potencial para atender diferentes mercados no mundo, sob qualquer nicho específico.

Potencial de crescimento

A população mundial deve atingir 9,8 bilhões de pessoas em 2050 e, para suprir a demanda gerada pelo crescimento populacional, será necessário que a produção de alimentos aumente 70% (FAO). 

Segundo estimativas da Embrapa, o consumo de carne bovina mundial nos próximos 30 anos deve aumentar em 9,4%. Para atender a demanda global do produto, a estimativa é que, no mesmo período, a produção mundial cresça 17%. 

Grande parte do aumento da demanda por alimentos deve ser atendida pela produção brasileira, tendo em vista a grande disponibilidade de recursos naturais e os avanços substanciais notados na pecuária nacional.

 O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que em 2030 o Brasil siga atuando como principal exportador de carne bovina, com 29% das exportações totais.

Sustentabilidade é a saída

Para se manter em condição de competitividade, nos próximos anos a pecuária nacional deve continuar a investir em produções mais sustentáveis e tecnificadas, com destaque ao atendimento de exigências socioambientais.

Os sistemas difundidos entre os produtores (ILP, ILPF, TIP, genética etc.) são técnicas que colaboram para uma produção que minimiza os impactos ambientais. 

A pegada ambiental tem se tornado uma vitrine para aqueles que direcionam seus trabalhos nesse aspecto, ganhando mais mercados e oportunidades, principalmente para o agronegócio brasileiro.