Com gado confinado o cuidado é dobrado
admin
07.07.2020

Confinamentos com foco na terminação de bovinos cada vez mais jovens, ganham espaço na pecuária de corte. Esses sistemas operam com grande concentração de animais e tornando-se um ambiente bastante desafiador.

Um dos maiores desafios que essa concentração de animais traz consigo é o aumento dos problemas relacionados à sanidade.

O complexo de doença respiratória bovina (DRB), refere-se às doenças respiratórias infecciosas em bovinos, com causas multifatoriais: estresse, deficiência nutricional ou mudanças na dieta, exposição a agentes infecciosos, agrupamento de animais de diferentes origens e transporte.

Estudos destacam que o compartilhamento de água e de alimentos pelos bovinos, comuns em ambientes de confinamento, facilita a transmissão de algumas doenças, entre elas, as de origem respiratória. Pesquisas apontam que 71,4% dos principais problemas em confinamentos são relacionados a afecções respiratórias em bovinos.

A presença de um ou mais agentes causadores de DRB no confinamento pode resultar em grandes perdas financeiras, principalmente nos custos diretos, em função da morbidade (animais doentes e que necessitam de tratamento), mortalidade e redução do ganho de peso, fatores que refletem negativamente no ganho de carcaça.

Indiretamente, mas não menos importantes, os custos relacionados à necessidade de infraestrutura adequada e aumento de manejos dos animais afetados também pesarão no bolso do pecuarista.

Interferência dos fatores climáticos nas doenças respiratórias em bovinos

Durante a estação seca, a pneumonia é considerada importante devido às condições climáticas adversas, porém, na estação chuvosa, também se destacam casos de pneumonia que podem levar a mortalidade.

Qualquer situação de desequilíbrio, seja do manejo ou do clima, pode refletir em desafios no ambiente de confinamento. Grandes amplitudes térmicas podem, por exemplo, proporcionar infecções subclínicas, aumentando a carga viral e/ou bacteriana no ambiente, resultando em maior desafio para o desempenho dos animais.

Os principais patógenos virais associados à DRB são:

  • vírus sincicial respiratório bovino (BRSV), considerado o agente mais importante;
  • vírus da parainfluenza bovina, tipo 3 (PIV-3);
  • Hespervírus bovino tipo 1 (BoHV-1), causador da rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR);
  • vírus da diarreia viral bovina (BVDV).

As bactérias, ainda que com ação secundária em relação aos vírus, são encontradas em culturas de pulmão de animais abatidos, ou seja, casos subclínicos.

As bactérias oportunistas comumente relacionadas à DRB são:

  • Mannheimia haemolytica;
  • Pasteurella multocida;
  • Histophilus somni;
  • Mycoplasma bovis.

Importância do protocolo vacinal em animais destinados à terminação

É extremamente importante o estabelecimento de um protocolo de vacinação específico para bovinos em fase de terminação.

A pneumonia é a doença respiratória mais frequente observada nos sistemas de produção intensivos. A superlotação de animais no ambiente de confinamento gera aumento da umidade do ar e, por consequência, maior tempo de sobrevivência dos agentes etiológicos no ambiente.

Os sinais clínicos são variáveis e se apresentam de forma quase imperceptíveis e brandas na fase subclínica, até casos graves na doença clínica superaguda, e podem levar à morte quando há pneumonia bacteriana secundária.

Em um trabalho realizado no interior do Paraná, foi avaliado o efeito do uso preventivo de vacina contra doenças respiratórias bovinas sobre o desempenho produtivo de novilhos em fase de terminação no confinamento.

O protocolo de uso da vacina foi composto por duas aplicações sequenciais com intervalo de 30 dias, com a primeira dose aplicada na entrada dos animais.

O ganho de peso médio diário foi superior (P<0,05) para o grupo vacinado (1,320 kg contra 1,148 kg, no dia 1), permitindo que esse grupo de animais alcançasse o peso de abate mais cedo (105,5 contra 123,3 dias) comparado aos animais não previamente imunizados.

Quanto à viabilidade econômica, os animais vacinados geraram maior lucro (1.625,81 contra 1.535,89 R$ por animal), considerando os valores da arroba da época em que o trabalho foi realizado, em relação ao grupo controle.

O protocolo vacinal contra doenças respiratórias na fase de terminação proporcionou melhor desempenho aos animais confinados, sem causar mudanças significativas no rendimento de carcaça ou espessura de gordura, gerando maior retorno econômico.