Fernando Queiroz, CEO da Minerva: “Resiliência está em meus soft skills”
Débora Caetano
17.11.22

Como a escola pública e a convivência com a diversidade moldaram o modo de agir de um dos principais executivos do setor de proteína animal no país

Se quiser saber qual é o peso de um mentor na vida de um executivo, uma boa sugestão é perguntar ao presidente da Minerva Foods, Fernando Galletti de Queiroz, 54 anos, executivo que, nas duas últimas décadas, transformou o negócio da família – do qual é sócio e sucessor – em uma das principais companhias de proteína animal da América Latina. Queiroz faz parte da lista Forbes dos melhores CEOs de 2022

No conselho da companhia, uma das cadeiras é ocupada por José Luiz Glaser, que trabalhou na Cargill por 27 anos. “Falo que ele foi meu chefe a vida inteira. Primeiro na Cargill, e depois no meu conselho”, brinca Queiroz. “Como trader, tem a capacidade de combinar as diversas informações e, principalmente, filtrar.”

Foi Glaser quem contratou Queiroz como trainee na Cargill, logo após a faculdade de administração, numa época em que os negócios da família não estavam em seu radar. “Eu me preparei para a carreira na Cargill.” Queiroz só foi para a Minerva nos anos 1990, ao ser desafiado pelo pai e pelo tio a apresentar um plano de voo para a empresa decolar.

Queiroz também cita como uma mentoria primária o pai e a infância em Barretos (SP), município “pequeno e sem muito o que fazer”, onde vivia em constante observação. “Era movido pela curiosidade”, diz ele. O pai, Edivar Vilela de Queiroz, tinha uma empresa de transporte de gado na década de 1970 e viajava pelo país. “Ele usava um rádio amador e eu ouvia muito sobre mercado”, lembra. “Tinha habilidade de negociar, estar com as pessoas, ser diplomático e construir times.”

A escola pública, outra marca da infância, trouxe o conceito de diversidade. “Estudei a vida inteira em escolas estaduais, até porque não havia colégio particular na época. Sempre tive contato com grupos muito heterogêneos, pessoas de diferentes backgrounds, de classes sociais, e tudo isso me moldou.”

Para o executivo, “a humildade é fundamental, aprender com os próprios erros também. Resiliência é saber que não existe um único caminho. Um novo caminho é construído passo a passo, tirando cada uma das pedras do caminho.”

Hoje, a Minerva Foods tem quase 20 mil funcionários, vende proteína animal e outros produtos para cerca de 100 países e faturou em 2021 o recorde de R$ 27 bilhões, com um Ebitda de R$ 2,4 bilhões, o maior já registrado pela companhia.

Em agosto, o valor de mercado da Minerva na B3 era de R$ 8,2 bilhões. “Entre 2008 e 2014 foi um período de consolidação muito difícil em nosso setor”, afirma Queiroz. “A equipe toda foi colocada à prova. Mesmo nos momentos difíceis, a gente tinha o caminho para perseverar, o que, junto com a resiliência, está em meus soft skills.”

Reportagem publicada na edição 101 da revista Forbes, em setembro de 2022.