Marcas usam Monja Coen e Sabrina Sato para ‘vender’ cerveja e a carne do churrasco
Redação
08.16.2021

Neste período em que as buscas por termos como autoconhecimento, espiritualidade e resiliência crescem, assim como aumenta também o consumo de álcool, é preferível se aliar ao discurso do equilíbrio a se tornar parte do problema do agravamento das doenças mentais, certo? Tem quem reclame sobre a presença da Monja… Bom, podia ser o Pondé, o Karnal ou o Mario Sérgio Cortella também, não?

É marketing, mas atende a um propósito: ‘abraçar’ o consumidor levando a mensagem da moderação quando ele ergue a mão em direção à prateleira do supermercado (ou o dedo na lojinha virtual). De longe é restringir o consumo, mas é debater o exagero. Dentro de casa, esse debate já está acontecendo, e a Ambev sabe disso. Nesse momento, é melhor sair na frente, ser a “amiga e companheira”. Afinal, quem nunca ouviu alguém se referir à cerveja assim? Pois é.

Da mesma forma, a carne bovina também carrega uma má fama, sendo cada vez mais demonizada pela mídia, que elege insistentemente a pecuária como uma das grandes responsáveis pelo agravamento das mudanças climáticas. Nada mais cool do que um casal querido escolhendo com segurança um bom corte bovino para sua família. É outra vez o consumo livre de culpa, embalado pelo poder das vozes que mais engajam nas redes sociais. É a apresentadora divertida, mãe zelosa e dona de um corpo saudável dizendo que o churras na casa dela é legal e, assim, aquela marca, ainda desconhecida do grande público, também é.

Afinal, a Minerva Foods é líder de exportação de carne bovina da América Latina, mas a maioria das pessoas nunca ouviu falar, né? Isso porque a empresa ainda não havia investido em vendas diretamente para o consumidor final das linhas Estância 92, Ana Paula Black Angus ou Cabaña Las Lilas.

Há quem diga que Sabrina anuncia shakes de emagrecimento, que não tem fit com açougue. Mas o marido dela faz churrasco, é uma família normal, que também se reúne na ocasião do churrasco (acredito que ela não seja vegetariana).

É marketing, mas também atende a um propósito: fazer com que qualquer um reconheça as linhas na boutique de carnes ou no supermercado. Mais uma vez, a intenção é tornar o produto próximo do consumidor na hora de decidir pela marca/qualidade ou pelo preço.

Como especialista em churrasco e, de quebra, boa bebedora de cerveja, enxergo as duas campanhas com bons olhos. Olha aí o pretexto para conversar sobre o álcool e proteína animal de boa procedência, e sobre menos quantidade e melhor qualidade, em ambos os casos. Aliás, aguardo ansiosamente os próximos passos dessas campanhas com a esperança de ver bons conteúdos em relação ao problema do alcoolismo e à cadeia da carne, principalmente.

Até porque, os dois temas merecem mais caldo e não seria apenas o discurso da monja budista responsável por me guiar na hora de beber cerveja, nem mesmo a bela e talentosa apresentadora – da qual admito ser fã – a me vender uma peça de prime rib. Longe disso. E pra você?

Fonte: Bing News