Minerva põe fermento na receita de inovação
Redação
03.17.2021

Pipeline – Valor Econômico

16/03/2021

A busca por proteínas alternativas — com menor pegada de carbono — ganhou um reforço da Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul e dona de um faturamento de R$ 20 bilhões.

O braço de venture capital do grupo brasileiro vai investir US$ 5 milhões em uma joint venture com a Amyris, uma firma de biotecnologia que já desenvolveu adoçante sem calorias e canabinoide, composto tipicamente retirado de cannabis para tratamentos médicos, a partir do xarope de cana.

A sócia da Minerva na nova joint venture domina a técnica da fermentação, com o uso de leveduras geneticamente modificadas. Listada na Nasdaq desde 2010, a Amyris já vale mais de US$ 5 bilhões mas ainda é uma companhia com foco no desenvolvimento de moléculas e não gera caixa.

Com o know-how tecnológico da Amyrys e a estrutura de distribuição e comercialização da Minerva, a JV quer entrar em mercados ainda não explorados.

No foco, está o desenvolvimento de um conservante natural – a partir da fermentação – que ajude a estender o prazo de validade da carne e menor nível de emissões de CO2.

A expectativa é que os primeiros produtos sejam lançados em um ano e meio. A Minerva terá 60 % da sociedade, disse uma fonte ao Pipeline.

A parceira também contempla o desenvolvimento de proteínas alternativas, um nicho que explodiu nos últimos anos com o hambúrguer vegetal da americana Beyond Meat – uma foodtech avaliada em mais de US$ 8 bilhões.

Criada em 2003 por cientistas da Universidade da Califórnia, a Amyris já recebeu um prêmio da Fundação Bill e Melinda Gates nos primeiros anos, pelo desenvolvimento um medicamento contra malária.

No Brasil, a Amyris está construindo uma fábrica em Barra Bonita, no interior de São Paulo, um investimento de US$ 75 milhões que deve ficar pronto no próximo ano.

A cana-de-açúcar, muito usada na técnica de fermentação da biotech, faz do Brasil um país relevante para a Amyris, que também conta com uma fábrica piloto em Campinas – a companhia mantém uma parceira com a holandesa DSM para usar uma unidade em Brotas que já pertenceu a ela.

Nos EUA, a biotech comandada pelo português John Melo tem fábrica piloto em Emeryville, na Califórnia, e outra na Carolina do Norte. A Amyris também atua na Espanha com um parceiro. O faturamento da biotech é de pouco mais US$ 100 milhões.

Considerando a sociedade com a Amyris, a Minerva comprometeu quase metade dos US$ 30 milhões destinados ao fundo de venture capital lançado no ano passado – o primeiro investimento foi na startup americana Clara, que desenvolve alternativas veganas, e na brasileira Shopper, um serviço de compras de alimentos por assinatura.